quarta-feira, 30 de agosto de 2017

a seco

eu quero que você me coma de dentro pra fora, 
pelas beiradas
que teus dedos passem por entre minhas pernas 
mas só quando já tiverem tocado mansinho minha cara amassada acordando meio dia no domingo, preguiçosa
que meu corpo seja doce na tua boca
mas só depois da minha loucura ter salgado teu peito
como um descanso pro paladar
sobremesa, sobre-cama
eu te vi voltar da praia sob a quentura de agosto
se banhando no leito manso e cristalino dum rio
descansando depois de ter brincado na areia fina,
temperada pelas águas de Inaê
correndo descalço, criando casco na sola do pé
era eu Oxum (Ora iê iê ô!)
era eu Iemanjá (Odoiá!)
em plena seca de Brasília
transbordando com o mergulho do teu corpo dentro de mim

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