quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Amor e outras drogas


Tenho dormido profundamente, bebido além da conta, fumado um cigarro atras do outro, sentido muita angústia, entregue demais a saudade no quarto escuro sozinha pensando no desamor que desencadeou os exageros. Nunca sou oito, sempre oitenta, duzentos e vinte volts, vinte quatro anos, seis ao lado seu, esse amor filho pródigo, primogênito, nosso desequilíbrio e refúgio, nossa eterna contradição. 
A noite mastiga meu peito e me engole, me cospe indefesa refém desse afeto que, de fato, não passa. A cada dia nasço pra esquecer e morro na lembrança. De tudo que já tomei a única coisa que nunca engulo é a distância, quando o amargo esquenta o peito depois de uma dose forte, o corpo reage, renego a cruel dose e num ímpeto inato procuro você. v í c i o. 
Mamãe sempre alertava sobre os malefícios das drogas, só não podia adivinhar que a pior delas viria do coração. Se é vicio, se é costume, história de outra vida, karma, feitiço ou maldição, não sei. Eu preciso é de coragem pra entregar ao tempo essa história, preciso aprender dizer adeus, ser pontual, parar de nos enganar com reticências e "até logos" sempre fatais.