sexta-feira, 15 de julho de 2011

Freud explica


Aí eu tava só, num lugar que quero muito estar um dia, sentada num banco de madeira surrado, típico de praças rústicas onde as histórias de amor começam nos filmes. Você chegou, abriu um sorriso e sentou ao meu lado. Sem saber o que fazer, me refugiei no celular, fazendo parecer importante o que via na tela. Num piscar de olhos, você puxou papo e tentei me controlar pra não parecer tão eufórica assim, afinal você é do tipo que deixa rastros de encanto por onde passa. A essa altura já pensava no texto bobo, regado a sentimentalismo infantil que escreveria. Começamos uma conversa descontraída, foi quando seu abraço desajeitado envolveu minha alma excitada e me senti dentro do sonho mais perfeito. De repente o banco flutuava no céu enquanto eu me encantava com cada pedaço de momento. Eu era a criança de uns anos atrás comendo a última banda do ovo de páscoa: devagar, sem doar. Naquele dia eu teria algo importante a fazer. Você me olhou nos olhos, disse que ficaria até o final, desejou boa sorte e atuou no instante mais feliz da minha existência ao tocar seus lábios nos meus por segundos doces, sinceros e dormentes. Relembro saudosista um futuro que desejo imensamente agora. Revivo cada passo nosso, de acordo com o compasso do teu som, deslizando com o corpo e coração no timbre da sua voz. Vesti meu melhor sorriso calçando passos de dança. Você foi o meu primeiro encontro depois de tantos outros que esqueci naquele banco quando me perdi em você.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Dois pesos e duas medidas

Aprendi a ouvir as batidas do coração alheio antes de culpá-lo por amar demais. Porque o amor só é idiotice quando é mentiroso. A dor de um desamor nunca é solidária com os que se perdem nas nuvens ao sentirem os lábios se procurando através de olhares doces. E eu te olho. Olho e emano luzes multicoloridas sem perceber. Olho, e você me parte o coração por depositar nele o pesar e a leveza de querer bem.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Mais que a mim

A página em branco durante horas, meses. Não que não tivesse o que ser escrito, é que perdi a mão de como usar as palavras, ora por não serem suficientes para descrever o êxtase dos meus momentos, ora por não saber mesmo onde encaixá-las. E acho que tudo isso é resultado de uma mudança monstruosa que só reparei agora: HOJE não tenho medo de falar, não me escondo por entre as linhas, rimas e concordâncias verbais. Foi e ainda é difícil, mas aprendi outras artimanhas em que posso de vez em quando me camuflar, até porque a verdade do sentir, assim desnuda, nunca é saudável. É preciso ter mais feelings que sensatez e isso, por mais que pareça estranho, é novo pra mim. Imagina você, alguém cheio de medos pra sentir, se libertar, descobrir-se amando insanamente? É um caminho longo, árduo e por vezes perverso. Mas eu consegui! Consegui me desfazer das correntes que as mágoas anteriores me faziam arrastar e pesavam minh'alma com insegurança. Agora as correntes que amedrontavam a vontade de ter alguém, hoje abraçam meu peito com o medo de não ter mais, consequência de amar. O que eu queria mesmo dizer é que me encaro no espelho com mais conforto e sensatez, que me assumo em todos os atos de nariz em pé, que bato de frente sem medo, embora já preparada pra qualquer represália. Aquela menina que em outras linhas se dizia confiante, racional, segura e pé no chão caiu por terra a partir do momento em que a outra garotinha perdida em metáforas, metonímias, paradoxos, antíteses, hiatos, ambiguidades e outros vícios e figuras entrou em cena dando lugar à mulher que encontrou palavras, em meio a confusão dos seus pensamentos, pra deixar registrado nestas linhas que cresceu.

domingo, 20 de março de 2011

Tempo de cinzas, cinzas do tempo

Você pode não fumar o cigarro, mas ele continuará queimando. Tempo, tempo, tempo. Não quero mais desperdiçar cigarros que não fumei, hoje em dia o maço anda caro demais e minha ansiedade constante não permite que eu deixe tanta cinza pela casa tendo os pulmões ainda intactos.


"Não me pergunte o que é que eu quero da vida
 O que eu eu quero da vida?
 Eu tenho sede demais!"
                      (Charlie Brown Jr.)

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

The end

Você merece, meu amor, alguém que te ame com a minha intensidade imperceptível, que tenha meu sexo, meu cheiro, mas que não seja eu. Eu te desejo a plenitude de um beijo apaixonado, a tua nuca arrepiada por conta dos sussurros ao pé do ouvido, o despertar ao lado de quem TE FAZ BEM, linhas cheias de carinho e vontade de ter pra sempre. Mas com alguém que não seja eu. Quero te ver rindo de tudo, assim como os idiotas fazem , porque isso é ser feliz ! Mas ria com alguém que não eu. Porque eu, meu amor, eu firo as pessoas, assim sem pretensão, mas firo. Eu tomo delas coisas que não tenho pra entregar por ser cheia de vazio.
É aquela velha história: o problema é comigo, não com você. E isso é real. Eu tenho um problema: não sei brincar de ser feliz. E você aí toda cheia de vida, amor e tantas outras coisas lindas não merece meu mundo extravagante sem cor. Eu, meu amor, não digo seu nome nessas linhas pra ter os últimos minutos de felicidade por ter um amor e por ele ser você. Obrigada.

- Quem não me entende, não merece meus pormenores. Te amo.


Obrigada à http://magggggangela.blogspot.com/ pelo selinho do dia 26.11. Você é uma querida, viu ? ;*
Obrigada à Carol que me alertou ao fato do blog http://tudoqueguardeipramim.blogspot.com/ ter copiado um texto meu. Vocês que escrevem também dêem uma olhada pra ver se não tem nada de vocês por lá.
Obrigada a todos pelo carinho que encontro em cada comentário.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Não sei

Tô meio aérea, meio por fora de mim. Não me vejo de perto e muito menos de longe. Sabe quando você tem a sensação que não existe ? Ou que é mentira ? Um vento passou imperceptível por entre a calmaria de todos os fatos que se sucedem e levou a firmeza que até então eu carregava há um bom tempo sobre mim. Não tenho mais comida preferedia, nem música. Não sei se prefiro sair ou ficar em casa. Nunca fui tão plural. Felicidade cansa? Sou masoquista ao ponto de pensar que sim. O coração e a alma volta e meia precisam de um baque, reviravolta, indignação. Por mais que eu tenha problemas, que eu discuta comigo e com os outros infindamente todos os dias, tenho certezas demais que me trouxeram dúvidas intensas. Talvez a dualidade que sempre me pertenceu não se adaptou à estabilidade de um alguém severamente constante. Ou talvez eu só esteja com receio de grandes mudanças. Sentir medo é duvidar de sonhos e propostas de felicidade, mas só quem aterrisa os pés no chão por um momento tem coragem de duvidar.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Espontâneo você


Quando é certo, é inevitável. Eu acabei de ler um texto num blog e fiz esse comentário. Um comentário que cabe exatamente a nós. Não que no passado fôssemos completamente inevitáveis, mas com o andar da carruagem, como diz minha avó, a gente foi acertando os ponteiros, se expondo, deixando fluir, deixando-se amar. E agora você é inevitavelmente minha certeza e o que pulsa nas minhas veias é seu. Esse texto é totalmente sem propósito, eu juro. Era só uma vontade repentina e meio insana de te escrever mais umas linhas pra ir completando nossas histórias. Só pra lembrar, decifrar, eternizar. Nas linhas tudo parece mais concreto pra mim e eu sempre fico aqui na esperança de que um dia SEMPRE pareça e transpareça verdade pra você. Odeio ser redundante, mas compreenda, amor, que você se tornou inevitavelmente a pessoa certa.