quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
Quarta de cinzas no meu quarto
terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
Você não soube me amar
Você não soube me amar.
Com teu jeito sempre manso, pisou devagar no meu pranto e julgou inválido todo o meu (bem) querer. Com teu sofrimento romântico e a cabeça às avessas com meu espírito liberto, fechou os olhos pro meu lado doce sutil. Apontou pra mim sua metralhadora cheia de mágoas e atirou no nosso amor. Sem dó e com rancor.
Você não soube me amar.
Bem sei que não sou santa, pelo contrário. Meu maior pecado foi o orgulho que impediu que a fragilidade dessas linhas e de outras tantas fossem resguardadas em minh'alma sufocada e muda. Não sei falar, nunca soube. Você bem sabe. E no meio de tanta gente, e por entre garrafas, na respiração pesada do marlboro, esqueci que você nunca foi boa com entrelinhas. As entrelinhas do meu corpo fechado, da minha boca trêmula, da minha língua ferina, do meu vocabulário chulo, do meu silêncio poético.
Eu não soube te amar.
Você queria clareza, te respondia com incógnitas. Você queria doçura, mandava você virar gente. Que espécie de gente fui eu? Você me pedia um futuro, eu ainda remoendo o passado. Você queria mais um gole, te obrigava a engolir em seco. E eu pedia compreensão, leveza, mas meus ombros carregados e tensos não sabiam carregar teu querer.
Eu não soube te amar.
Fomos cúmplices até nas brigas, nos abraçávamos mais forte depois das ofensas trocadas, silenciávamos na cama o ressentimento. Nos levantamos a cada tropeço, insistimos nas boas lembranças, e não tinha um único dia sem um 'eu te amo' antes de dormir. Criamos uma vida, demos a cara a tapa, apanhamos. Choramos. Entrelaçamos, pernas, braços e espíritos. Viramos um nó. Nó que aperta minha garganta. Um nó apertado de uma relação tão fraca. Nó de marinheiro que dá mil voltas no mesmo porto, porque nele se fez lar, porque nele se fez seguro. E é tão duro sair de casa!
Soubemos amar.
De um jeito voraz e ao mesmo tempo passo a passo, instantaneamente trabalhado. Nosso amor foi aquela nossa cozinha do primeiro apartamento em que moramos: fizemos as compras, enchemos geladeira e armários, mas não sabíamos o que cozinhar. De tantas opções, morremos de fome, aquela fome de algo que não se sabe o que é e que sempre acaba com o humor quando não é saciada. E posso falar? Ainda tô faminta. Por não saber o que comer, desconto na sede, encho a cara e vomito tristezas. O estômago pede arrego, o peito irriga de pesar. E por entre outras bocas, outros braços, abraços, sexos e conversas, perdi. Perdi no meio da nossa cozinha a receita de como se encantar. Não faço ideia de como achar dentro de mim a fórmula de enxergar terceiros e deixar me apaixonar. Você esvaziou meu armário. Já não cozinho mais. Meu paladar rejeita outros sabores mesmo que já esteja cansado de comer sempre você. Quero dançar com outro par pra variar, mas quando percebo ensaio os passos que aprendi contigo. Então repito e mais uma vez te engulo.
Já não sei mais amar.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
Amar, há bar
terça-feira, 4 de novembro de 2014
Retificação
Nas crises de ansiedade, no tremelique das pernas, no
tamborilar dos dedos na mesa, no copo sempre cheio de cerveja e desamor, nas
tragadas de cigarro cheias de rancor: olha você!
No desejo que a noite não acabe, na ressaca seca e amarga na boca, no peito inflado de raiva, no rosto marcado pelo cinismo, no sorriso transbordando malícia: ali você.
Nas palavras caladas, no amor reprimido, no desejo sufocado, nas entrelinhas da vida, na minha língua ferina: tem mais você.
Do meu lado da cama, na minha mesa de bar, naquele som que me ganha, quando eu começo a chorar: cadê você?
No meu abraço apertado, no meu sorriso de lado, nas minhas promessas mal pagas, na minha voz embargada, nas minhas roupas jogadas, na minha cama mal feita: tinha você.
Revogo as palavras já ditas, apago as frases escritas, confesso: não aguento mais a partida. Se tua passagem fosse só de ida, talvez meu coração já soubesse bem certo que todo o afeto realmente sumiu. Mas tuas constantes voltas ao tempo que me incomodam também me fazem feliz porque não sou de aço, te roubo sempre um abraço e um beijo voraz. Jurando ser sempre o último encontro, despeço-me dos teus olhos tristonhos com o coração na boca, a alma dilacerada, a saudade já apertada e o orgulho ferido. Jurando ser o ponto final, me pego distraída escrevendo mais dois pontos na sequência, emendando mais uma vez os destroços dum amor fadado a partir dois corações.
No desejo que a noite não acabe, na ressaca seca e amarga na boca, no peito inflado de raiva, no rosto marcado pelo cinismo, no sorriso transbordando malícia: ali você.
Nas palavras caladas, no amor reprimido, no desejo sufocado, nas entrelinhas da vida, na minha língua ferina: tem mais você.
Do meu lado da cama, na minha mesa de bar, naquele som que me ganha, quando eu começo a chorar: cadê você?
No meu abraço apertado, no meu sorriso de lado, nas minhas promessas mal pagas, na minha voz embargada, nas minhas roupas jogadas, na minha cama mal feita: tinha você.
Revogo as palavras já ditas, apago as frases escritas, confesso: não aguento mais a partida. Se tua passagem fosse só de ida, talvez meu coração já soubesse bem certo que todo o afeto realmente sumiu. Mas tuas constantes voltas ao tempo que me incomodam também me fazem feliz porque não sou de aço, te roubo sempre um abraço e um beijo voraz. Jurando ser sempre o último encontro, despeço-me dos teus olhos tristonhos com o coração na boca, a alma dilacerada, a saudade já apertada e o orgulho ferido. Jurando ser o ponto final, me pego distraída escrevendo mais dois pontos na sequência, emendando mais uma vez os destroços dum amor fadado a partir dois corações.
terça-feira, 7 de outubro de 2014
Eternos laços desfeitos
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
Agosto de quem?
Viajei por entre sons há muito esquecidos, voltei ao tempo
onde minha sede de futuro era constante, eu só queria que o relógio disparasse
ali dentro do meu quarto escuro no 3º andar pra que a minha vida finalmente
acontecesse longe daquelas paredes que representavam as regras que minha mãe
tanto citava todo santo dia, o dia todo. Minha mãe era daquelas que grudava
bilhetinhos do tipo “não use drogas”, “use camisinha”, “amo você”, no meu
guarda-roupa, que me pegava pelo braço, me deitava na cama do lado dela e mesmo
vendo na minha cara que eu ficava puta com aquilo, iniciava aqueles papos de
namoro, sexo e bebida que nenhum adolescente quer ter com os pais. E ficava lá
horas antes de dormir me falando de tudo ruim que aconteceu com ela, pra eu
tomar como exemplo, etc. Os planos dela pra mim não deram certo. Afinal de
contas, nada como se jogar na vida pra receber os empurrões seguintes. E eu caí
arduamente, e me levantei depressa, porque né? Eu tinha que correr atrás dos
MEUS planos. Mas eles também não deram certo. Fui atropelada pelos meus pretenciosos
quereres, e meu signo de ar não fincou o chão sob meus pés. Tatuei asas, elas
me carregaram. Voei. Fui longe, mais do
que imaginei, mais do que previ. De repente, na seca típica de agosto em
Brasília, o vento virou mormaço e caí. Me estrepei, meu caderno e apostilas se
misturaram à poeira e meus sonhos foram levados pela brisa que se fez depois do carro que passou
por ali. Sentei na parada de ônibus logo adiante e fui embora com a boca seca e o
coração na mão. Meu semblante era terno, mas por dentro eu gritava
desesperadamente. Ninguém nunca sabe o que se passa aqui, já é normal nem
procurar ajuda nessas horas, não consigo, simplesmente perco a fala, e dano a
discorrer sobre banalidades com um sorriso estampado no rosto. Engulo meus
problemas com a cerveja e os exponho com a fumaça do cigarro. E é assim que eu
vivo e morro todo dia: entre um gole e uma tragada. Diálogo nunca foi uma coisa
fácil na minha vida, vide a minha raiva com os papos da minha mãe, – detalhe que
todas as minhas amigas achavam a atitude dela o máximo – também por isso quebrei
a cara naquele agosto. Eu falo com a escrita, meu coração só se rasga no papel,
não tem jeito. Aquele inverno fez-se inferno no meu mundo. Mudei de ares, mas o
mormaço era o mesmo. Tentei passar 8 horas presa na torre, no 3º andar, num
escritório gelado, na tentativa de refrescar meus ânimos, mas meu coração quase
parou. Parti outra vez. E entre minhas idas e vindas, o nosso amor tava ali,
meio torto, mas tava. Aquele amor passivo, esparramado pela casa, guardado em
caixas do lado da cama, dentro das canecas de chopp roubadas dos barzinhos, dentro
das sacolas de roupas espalhadas pela casa e enfeitado pelo cone da PM que eu
roubei naquele dia de bebedeira. Mas era um amor tranquilo, mesmo com toda a
movimentação ao redor, nos movíamos com o mundo, girávamos 24 horas em torno de
nós mesmos e 365 dias em torno da vida que nos cercava. Um dia de cada vez, uma
ressaca a cada fim de semana, mil beijos antes de dormir. Daí veio agosto
novamente. Roubou a leveza dos nossos dias, jogou longe nossos sonhos, enterrou
as expectativas de reencontro. Agosto sempre me roubando a vida de outros 11
meses, agosto sempre me desconsertando a alma, a cabeça e o coração. Setembro
quando bate à porta me encontra aos prantos, descalça, maquiagem borrada,
felicidade engarrafada, cinzeiro cheio e peito sangrando. Ofereço a outra face,
pra ver se saio dessa fase. Bate que tá pouco, setembro, pisa com vontade e
anestesia essa saudade, saudade de dezembro, janeiro, carnaval e quietude.
Saudade dos 22 completos em maio e de todo o amor que você transbordou em mim
na ocasião. Já sinto o 10º mês chegando, me cobrando a 2ª parcela da separação,
que nem sei que dia vence. O meu pobre sentimentalismo só pergunta quando vence
esse carnê das casas da vida, que espero pagar em dia. Mas calma, outubro, não me
faça cobranças ainda, tenho planos pra você. Novos planos pra enterrar no barro
vermelho de Brasília em agosto do ano que vem.
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
Pra facilitar o troco e a descida
Anestesia. Meu sentir foi privado e tô atendendo só aos extintos.
Voltei a ser predadora, primata, rocha, antropofágica. Degluto as impressões
externas do mundo e as devolvo em forma de soco. Minhas palavras cortam e
ferem. É tudo somente sexo e amizade, como ouvi Bethânia cantar no repeat esses
dias. Oito ou oitenta. O veneno corre nas veias e escorre pela boca depois de
beijos desenfreados em outros sem importância. E já nem lembro o que restou, se
restou. E já nem sei o que é me derreter, deleitar com carinho num obro nu em
meio a lençóis bagunçados, perdoar também já nem sei. Não preciso de perdão por
algo que não sinto, nem pedir nem conceder. Não preciso de doses de cuidado ao
tocar em certos assuntos, preciso de porres pra saber o que falar e o que
calar. Se bem que só calo na sobriedade, quando é necessário mentir pra quem
caga regra na minha vida sobre os relatos das noites passadas. Estar só é uma
tortura indolor, por isso minhas costas já não doem mais por conta do peso que
é amar insanamente. Eu não sei o que fazer, mas faço; não sei o que pensar, mas
reflito; não sei como me comportar e danço. Subo na mesa, tomo mais um gole,
mais um trago no marlboro que você me ensinou a fumar, encontro alguém, beijo,
mais um gole, mais uma dança, caio, ébria, louca, no descompasso, já não sei dançar,
dou teu troco pelo coração apertado, pequeno, amedrontado que me foi largado
aqui dentro. Pega o troco, toma uma cerveja com aquela pessoa das suas novas
histórias, porque sede pra mim deixou de ser necessidade fisiológica e passou a
ser estado psicológico. Você não tem condição de saciá-la, meus novos hábitos
não são do nível dos teus trocados.
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